
Na foto Chrno e Rosette, juntos para sempre, em seu fatídico fim
A foto é somente para ilustrar o assunto que tratarei nesse jornalzinho, que infelizmente não é alegre, é inclusive uma coisa muito pessoal, quase que um desabafo arrancado da minha alma. Estou tentando me libertar disso, e não vejo maneira mais fácil de fazê-lo do que pôr minhas angústias aqui. Peço que desistam de ler isso aqueles que não têm paciência, porque isso é um puro desabafo. E peço perdão por não ter nada feliz para anunciar aqui.
Vamos lá. Na última sexta-feira, dia 24 de agosto, um garoto da minha turma chamado Bruno (mais conhecido como Ninho) faleceu em um terrível acidente de carro. Hoje, na escola, quem sabia do ocorrido veio vestido de preto em homenagem, inclusive o coordenador e o inspetor, fizemos uma lista de assinaturas em homenagem a ele e pregamos no mural. A notícia foi ainda mais chocante em meio ao choro desconsolado dos amigos, ao ar
pesado de decepção. Em meio às pessoas faltava alguém, que de repente tornava-se essencial para todos. É como se respirassemos sua falta, era quase palpável tanto a nossa tensão quanto a dos professores em tratar desse assunto.
E voltei hoje arrasada em meio ao choro dos amigos mais próximos. Sentia-me estranha lá. A morte dele era um golpe duro para todos nós e nos perguntávamos: Porque? Como? Um garoto saudável, alegre, com apenas 14 anos de idade... Isso seria de alguma forma, justo? Será que tudo o que ouvimos era mentira, se tampassemos nossos ouvidos enquanto dizia-se toda aquela coisa melosa de ele está num lugar melhor... Será que fingir que era tudo palhaçada, não acreditar naquilo tudo faria ele entrar, porta adentro, sorridente, dizendo que era mentira?
A maioria de nós, incluindo eu mesma, nunca havíamos conhecido a morte tão de perto... Seria possível que um dia a pessoa estivesse lá, passasse por você, te desse bom dia como sempre fazia e no dia seguinte te dissessem que ela morreu? Seria possível que aquela simples palavra fora a última que nós trocamos com aquela pessoa? Mas será que não poderiamos ter-lhe dito mais? Como acaba assim, sem uma despedida?
E eu me sentia culpada. No início senti-me felizarda em nunca ter conhecido o garoto, durante todo o ano não troquei com ele mais que um dá licença, ou um obrigada. Pensei, sendo assim não estaria como seus amigos, em prantos, ainda sem acreditar... Depois senti-me culpada. Meu Deus, aquele garoto morrera! Eu não havia nem ao menos falado com ele, nunca havia notado na sua presença, não sabia se era uma pessoa fabulosa, não reconheceria nem mesmo sua voz... Porque eu nunca me dera ao trabalho de bater um papo com ele? Será que ele me reconheceria, se passasse por mim na rua? E eu, seria capaz de identifica-lo, antes de tudo isso?
Na tentativa de consolar um amigo eu lhe disse: Não se preocupe, se ele morreu era sua hora, ele já cumpriu sua missão na Terra... Será que é verdade? Agora me pergunto: como pode um garoto de 14 anos já ter cumprido sua missão? Por Deus, ele podia ter sido importante! A humanidade pode ter perdido um médico que salvaria mais mil outras como ele.. Haveria justiça no mundo após uma morte tão prematura, tão sem razão? Tento conservar em minha mente os conceitos espirituais da minha religião, forço-me a acreditar nas minhas próprias palavras e sigo em frente, sem pestanejar.
Esse é um conselho que dou a todos aqueles que perderam alguém, amigo ou não, mas que passasse por você todos os dias: No dia chore, desabafe... Se não quiser chorar, tanto faz. Mas depois siga em frente. E jamais, repito, JAMAIS, olhe para trás. O passado não é capaz de aconchegar você, ele te prende numa armadilha eterna. Se você tentar lembrar do que passou junto dele, e do quão maravilhoso ele foi na sua vida, você pode prender-se nesse fio de lembranças, que vai enrolar-se até não haver mais qualquer caminho de volta.
Então, amanhã enfrentarei mais um dia. Erguerei minha cabeça, manterei pensamentos felizes em mim e nenhum outro dia de minha vida tentarei refletir sobre o que registro aqui. Ficará nesse jornal e morrerá e será enterrado aqui. Rezarei por ele, desejarei que vá feliz, seja lá para onde for.
Espero que o que escrevo aqui sirva para ajudar outras pessoas que passem pelo mesmo problema. Apartir de hoje conheço essa dor, que infelizmente existe. Sou outra pessoa agora, mas considero isso um crescimento necessário para todos nós.
Agradeço àqueles que leram isso e aqui vai um conselho: Sorriam sempre. Cada dia é um novo dia, vamos brincar, fazer o que dá na telha até o dia que nossos olhos se cerrarem eternamente.
Essas palavras são também uma homenagem de despedida à ele, que eu desejo mais do que nunca ter conhecido, mas que infelizmente jamais terei a oportunidade.
Obrigada a todos aqueles que me apoiaram lendo isso, e perdoem-me pelo tamanho absurdo ^^'''
Até a próxima ^~
Rosetta
Escutando: High School Musical 2 - Gotta Go My Own Way
Lendo: Edward Stewart - Privação de Sentido
Assistindo: Gilmore Girls - Primeira Temporada
Jogando: Naruto Ninja Council 2
Comendo: Continuo de dieta x.x
Bebendo: Água xD